17/03/2010  

Em defesa do Rio
Mesmo com chuva forte 200 mil pessoas saem em defesa do Rio

A chuva que caiu durante toda esta quarta-feira (17) não desaminou as 200 mil pessoas de diversos municípios do estado do Rio contra o que foi classificado como um verdadeiro “golpe federativo”. A população respondeu positivamente ao chamado do governo do estado e vestiu a camisa em defesa do Rio de Janeiro.

Mas do céu não veio apenas a chuva. Dos prédios foi jogado o tradicional papel picado por aqueles que pararam o serviço para assistir a manifestação, que saiu da Candelária e percorreu a Avenida Rio Branco.

Desde o começo da tarde começaram a chegar as caravanas das mais variadas regiões do estado, muitos dos municípios de Campos, Miracema, Macaé, Niterói, São Gonçalo e da Baixada Fluminense, entre outros.

Nas faixas, panfletos e discursos apenas um tom: a indignação contra a
“covardia” feita ao Rio de Janeiro. O governador do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, estiveram à frente do ato.

"Esta não é uma conta aritmética, mas legal. Há uma Constituição Federal que manda dar aos estados e municípios indenização pela produção de petróleo ou no continente ou em plataforma continental. Depois, não se pode mexer em direito adquirido. O ato jurídico perfeito já existe. São R$ 7 bilhões, R$ 5 bilhões para o governo do estado e o restante para 89 municípios", frisou Cabral.

A secretária municipal de Cultura do Rio, Jandira Feghali, disse acreditar que o protesto pode ajudar a convencer os senadores a vetar as mudanças na partilha dos royalties.

Forte adesão

A manifestação contou com a adesão dos mais variados grupos, entidades e partidos. Marcaram presença centrais sindicais como CTB-RJ, CUT, NSCT e Força Sindical. Mais uma vez, os estudantes estiveram também em grande número. A UNE, UBES, UEE-RJ e UJS deixaram seu recado para a população do Rio de Janeiro. Para o presidente da UBES, Yann Evanovick, o estado não deve ter nenhum royalties a menos. Porém, ele disse que a educação deve receber mais recursos do petróleo. A passeata ganhou também o apoio de artistas da música e do cinema, como a cineasta Carla Carmurati, o grupo AfroReggae, a bailarina Ana Botafogo, a atriz Letícia Spiller, Lucinha Araújo, mãe do cantor Cazuza, a apresentadora Xuxa e o coreógrafo Carlinhos de Jesus.

O PCdoB levou dezenas de bandeiras, assim como PT, PSB e PDT. Os comunistas distribuíram 13 mil panfletos com a opinião do Partido do Rio de Janeiro. “Retirar 7 bilhões de receita de um estado de forma abrupta e violenta como está sendo proposto é um atentado ao pacto federativo”, diz a nota que também trás a declaração do deputado federal Edmilson Valentim condenando a "emenda Ibsen" (clique aqui e veja o panfleto). Diversas lideranças do PCdoB estiveram presentes, entre elas a presidente estadual Ana Rocha, o deputado estadual Fernando Gusmão e os vereadores Roberto Monteiro (Rio) e Aguillar Ribeiro (Angra).

Um protesto carioca

Durante a caminhada, foi encenado o enterro do deputado Ibsen Pinheiro, autor da emenda que retira mais de R$ 7 bilhões por ano do Rio de Janeiro. Um boneco com sua caricatura foi linchado pela população.

No momento em que a manifestação chegava à Cinelândia, a chuva ficou ainda mais forte. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse então que ficou decidido que não haveria discursos de políticos. A noite continuou com a apresentação de shows musicais, como Fernanda Abreu, Alcione, Neguinho da Beija-Flor e outros.

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