Gênero
A dura realidade da violência contra mulher: um mapa da covardia
Brasileiras e jovens, elas ocupam o topo de uma trágica radiografia feita recentemente pelo Instituto Sangari. O estudo, intitulado Mapa da Violência, mostra que uma mulher é morta a cada duas horas no Brasil. 40% delas estão na faixa etária dos 18 aos 30 anos. Na maioria das vezes, o criminoso é o marido, o ex-marido, o namorado ou um homem que não aceitou ser rejeitado.
O Brasil está em 12º lugar no ranking mundial de homicídios de mulheres. Em primeiro lugar está El Salvador, na América Central. A violência doméstica e familiar mata mais do que todos os tipos de câncer mais comuns que atingem as mulheres. Um escândalo.
Foram mais de 41 mil assassinatos no Brasil em um período de 10 anos (1997-2007), o que dá uma trágica média de 3,9 mortes por 100 mil habitantes. O Espírito Santo lidera a lista. Lá o índice chega a incríveis 10,3 mulheres mortas para cada 100 mil habitantes.
Lorena Siqueira, de apenas 23 anos, engrossou as estatísticas. Ela foi morta com um tiro no rosto numa rua de Serra, cidade ao norte de Vitória (ES). O principal suspeito é o ex-marido. Mesmo destino teve Joselma Elias da Silva, 25. Foi encontrada decapitada pela filha de apenas seis anos no início de julho. Para a polícia capixaba, o marido é o maior suspeito de ter cometido o crime.
O Rio de Janeiro não fica muito atrás. É o oitavo Estado brasileiro com maior índice, com uma taxa de 5,1 mortes. Junto a outras 18 cidades brasileiras, o município de Silva Jardim tem uma incidência de assassinatos maior do que o país mais violento do mundo para as mulheres viverem. Em El Salvador, são 12,7 mortes por 100 mil habitantes. A pequena cidade fluminense de Silva Jardim, com apenas 22 mil habitantes, registrou 18,8 mortes nos últimos cinco anos. Teve até caso de mulher estraçalhada a golpes de foice pelo marido.
O estudo que gerou o Mapa da Violência foi feito com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). O sociólogo responsável pelo levantamento, Julio Jacobo Waselfisz, afirmou que a sensação de impunidade é a maior incentivadora da violência. Outro problema apontado pelos especialistas é a mentalidade atrasada que ainda vigora no Brasil, segundo a qual o sexo feminino é propriedade do masculino. Assim, as agressões são consideradas normais.
Mas o Brasil já dispõe de um instrumento para prevenir, assistir às vítimas e punir os agressores. É a Lei Maria da Penha, que foi relatada na Câmara dos Deputados por Jandira Feghali. A legislação é considerada uma das três melhores do mundo pelo UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher). No Rio, Jandira Feghali lançou uma campanha nacional e suprapartidária pela plena implementação da Lei Maria da Penha em todo o território nacional.
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