Cidade do Rio está despreparada
para enfrentar adversidades
A recente chuva no Rio mostrou mais uma vez a falta de planejamento do poder público, que não prepara a cidade para enfrentar este tipo de contratempo. Um levantamento divulgado no dia 19 revelou que, pelo menos a Zona Sul e o Centro não tinham contrato de manutenção da rede de drenagem há cerca de dois meses. A homologação da licitação para a contratação de uma nova empresa para realizar o serviço foi publicada no Diário Oficial no dia anterior.
O recente relatório da CPI da Cidade da Música, apresentado pelo vereador Roberto Monteiro (PCdoB), mostra que em função dos gastos com a Cidade da Música a Comlurb – empresa responsável pela coleta de lixo no Rio – teve um corte de R$ 9,5 milhões em seu orçamento, o que acarretou a retirada de 80 carros do serviço de coleta, explicando assim o crescente acúmulo de lixo verificado nas ruas da cidade. Já a Secretaria de Obras teve um orçamento 10 vezes menor do que a Cidade da Música, apesar de ser a responsável por grande parte dos serviços de conservação.
Distante de tudo o que acontece na cidade, Cesar Maia, em seu Ex-blog, culpou uma possível “coincidência que ocorre mais ou menos de 3 em 3 anos: uma chuva concentrada exatamente no mesmo período que a maré alta atinge seu ponto maior”.
Entretanto, a população do Rio já está acostumada, a cada chuva forte, com os alagamentos em diversos pontos da cidade. No centro, já virou costume os camelôs utilizarem seus carrinhos para atravessar as pessoas de um ponto a outro, cobrando uma pequena quantia para aqueles que não querem andar com a água até o joelho.
O prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), divulgou nota comentando o temporal que causou um grande transtorno na cidade do Rio no dia 17. Para ele, a cidade não está preparada para enfrentar esse tipo de problema. Paes falou ainda sobre a responsabilidade do atual prefeito, Cesar Maia (DEM), na manutenção do Rio.
"As fortes chuvas mostraram uma cidade despreparada para enfrentar adversidades", diz um trecho da nota. "Diante das informações de que novas tempestades poderão se repetir, espero que o atual prefeito, nos 43 dias que restam para o fim de seu mandato, cuide da cidade fazendo sua manutenção. Principalmente naquilo que diz respeito à limpeza de ruas, galerias de águas pluviais e dragagem de rios".
Transtorno geral
A chuva causou transtornos em todo o Rio. Na Zona Sul, o trânsito parou. Em Copacabana e Botafogo, a água chegou a quase o nível do joelho dos pedestres. Na Gávea, bueiros também transbordaram. Imagens das câmeras da CET-Rio mostram a Praça da Bandeira completamente alagada. |