17/11/2008  

PSDB e PPS: namoro ou amizade?

Por Marcos Pereira*

Mais do que uma possível fusão – como noticiou a imprensa – a relação entre PSDB e PPS tenta pavimentar o caminho para a aliança da direita em apoio ao presidenciável José Serra. Como disse o deputado Roberto Freire, presidente nacional do PPS, “o que esperamos do PPS é uma firme e imediata tomada de posição pró-Serra”.

Essa posição confirma uma guinada à direita de Roberto Freire, presidente de um partido que carrega o nome de “Popular Socialista”. Entretanto, não é a primeira vez que Freire mostra de que lado está. Em 1992, participou ativamente da tentativa de dar um fim ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), quando ocorria a derrocada da União Soviética. Naquele mesmo ano, Freire – então presidente do PCB – toma à frente para a criação do PPS, renegando a luta de classes e a construção de um novo mundo para os trabalhadores.

PPS e PSDB fazem um encontro de histórias parecidas. O partido dos tucanos, criado em 1988, apostava na social-democracia contra o PMDB, que exercia a presidência do país com José Sarney. Porém, com a chegada de FHC ao comando do país, o PSDB foi o partido que aplicou fielmente o receituário neoliberal, favorecendo inteiramente ao mercado financeiro. A presença do deputado federal Raul Jungmann – ministro no governo FHC – no PPS mostra o nível da união dos dois partidos.

Na capital carioca, a aliança PSDB e PPS já ocorreu na última eleição para prefeito. Os dois partidos apoiaram Fernando Gabeira, do PV, uma trinca que deve permanecer no estado em 2010. Um dos garotos propaganda de Gabeira foi o ex-presidente do Banco Central, durante o governo FHC, Armínio Fraga. A imprensa também já noticiou que José Serra quer Gabeira concorrendo ao governo do estado, na tentativa de fazer um forte palanque para ele em 2010.

União de ex-comunistas?

No bojo desta possível união, os partidos confirmaram que já existe entre eles uma “convergência programática”. A Fundação Astrogildo Pereira, do PPS está organizando um seminário com o Instituto Teotônio Vilela, do PSDB. Os dois partidos estão fazendo uma agenda comum, através de suas fundações, que será a base do programa de governo de José Serra.

Segundo o presidente do Instituto Teotônio Vilela, deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), "muitos ex-comunistas do PSDB, como eu, estão entusiasmados com a fusão, que praticamente já existe no bloco de oposição ao governo Lula", afirma Vellozo Lucas ao jornal O Globo.

Como já renegou o passado comunista, Roberto Freire poderia alterar o nome da Fundação do PPS. Astrogildo Pereira foi delegado no congresso que fundou o Partido Comunista do Brasil e, enquanto vivo, batalhou em prol de um Brasil solidário e socialista.

Marcos Pereira - Jornalista

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