14/11/2008  

Desigualdades raciais se mantém,
segundo relatório da UFRJ

A superioridade da renda mensal média de brancos em relação à de negros ou pardos diminuiu nos últimos anos, porém as desigualdades raciais ainda são profundas no Brasil e devem ser corrigidas com políticas públicas que aliem crescimento econômico com inclusão social da população negra. Essa é uma das conclusões do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil (2007-2008) lançado, no dia 10, pela UFRJ.

O encontro contou com a presença do ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos. O reitor da UFRJ Aloísio Teixeira e o vice-diretor do Instituto de Economia, Ary Vieira Barradas, também participaram do lançamento. Representantes de instituições de pesquisas, organizações não governamentais e movimentos sociais lotaram o local da apresentação. A atriz e cantora Zezé Motta também fez uma breve intervenção ao final do evento, entoando a música “Minha Missão”, de autoria de João Nogueira e Paulo César Pinheiro.

Do universo de pessoas analfabetas no país, 68% se situavam em 2007 nessa parcela da população. Apesar da redução das desigualdades, o coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) – que elaborou o projeto –, Marcelo Paixão, informa que a defasagem escolar continua sendo maior entre crianças e jovens negros. “O negro hoje recebe metade do que um branco recebe, a taxa de analfabetismo entre os negros é mais do que o dobro da registrada entre os brancos e 60% do total de homicídios foram cometidos contra esse grupo em 2005”, afirma o professor.

O relatório também revela uma sub-representação da população negra em cargos públicos e partidos políticos. No Congresso Nacional, de 513 deputados federais, apenas 10 são negros entre os homens e 33, pardos. A situação se agrava entre as mulheres: uma negra e duas que se declararam pardas.

Estatuto

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, ressaltou a importância do relatório desenvolvido pelo Laeser como instrumento que poderá auxiliar o Estado na redução das desigualdades entre brancos e negros. Durante sua apresentação, ele abordou também a criação das delegacias especializadas em defesa dos direitos das pessoas negras, a política de cotas nas universidades e a elaboração do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita no Congresso.

Sobre a política de cotas, afirmou que deverá se reunir com os reitores da UFRJ e de outras universidades para discutir o tema, pois não há uma lei que discipline a reserva de vagas para estudantes negros ou pardos nas instituições públicas de ensino superior. “Acredito que a diversidade social e étnica que a política de cotas traz representa um ganho para o jovem universitário e para a comunidade acadêmica”, afirmou o ministro. Ele também defendeu a criação do Estatuto de Igualdade Racial.

O relatório foi produzido a partir de dados de pesquisas oficiais realizadas por órgãos do Governo, como IBGE e ministérios da Saúde e Educação. No fim do ano que vem deverá ser lançada uma nova e atualizada versão.

Fonte: UFRJ

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